LEDUB https://ledub.com.br Laboratório de Estudos das Transformações do Direito Urbanístico Brasileiro Thu, 14 May 2026 17:45:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://ledub.com.br/wp-content/uploads/2025/04/cropped-Simbolo_Principal-32x32.png LEDUB https://ledub.com.br 32 32 Produzir conhecimento em diálogo com a cidade: a atuação do LEDUB em agendas urbanas no Rio de Janeiro https://ledub.com.br/produzir-conhecimento-em-dialogo-com-a-cidade-a-atuacao-do-ledub-em-agendas-urbanas-no-rio-de-janeiro/ https://ledub.com.br/produzir-conhecimento-em-dialogo-com-a-cidade-a-atuacao-do-ledub-em-agendas-urbanas-no-rio-de-janeiro/#respond Thu, 14 May 2026 17:40:24 +0000 https://ledub.com.br/?p=1957 Entre março e abril de 2026, pesquisadoras e pesquisadores do Laboratório de Estudos das Transformações do Direito Urbanístico Brasileiro (LEDUB) participaram de diferentes agendas voltadas aos debates sobre moradia, conflitos fundiários, regularização fundiária e direito à cidade, reunindo universidades, instituições públicas, movimentos sociais e organizações da sociedade civil. A participação nesses espaços integra o compromisso do laboratório em manter diálogo constante com os debates e práticas que extrapolam o ambiente acadêmico, entendendo a produção de conhecimento como parte de uma construção coletiva entre universidade, instituições públicas e sociedade civil. Além disso, essas atividades também se articulam às agendas de pesquisa desenvolvidas pelos integrantes do laboratório, possibilitando trocas de experiências, ampliação de redes e aprofundamento das discussões relacionadas aos temas investigados por seus pesquisadores.

No dia 10 de março, os pesquisadores Edmar Araújo, Magna Corrêa e Antônio Augusto Veríssimo (SEAERJ) participaram da Reunião de Planejamento Anual do NUTH, conduzida pela equipe da Defensoria Pública no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O encontro reuniu representantes de universidades, laboratórios de pesquisa, movimentos sociais e instituições atuantes na pauta da moradia e dos conflitos fundiários urbanos.

Além do LEDUB, o IPPUR foi representado pela professora Gisele Tanaka. Também participaram representantes de outros laboratórios da UFRJ, como o NAJUP e o LABÀ, além do Terras e Lutas, da PUC-Rio, e do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), entre outros coletivos e organizações sociais.

A reunião teve como objetivo apresentar o Relatório Anual de 2025 e promover um espaço de escuta para propostas, críticas e sugestões acerca das ações desenvolvidas ao longo do último ano. Entre os temas debatidos estiveram as articulações entre o sistema de Justiça, o poder público, a universidade e a sociedade civil, além de experiências relacionadas às vistorias territoriais e às propostas de criação de AEIS.

Na sequência, entre os dias 23 e 25 de março, as pesquisadoras Thatyane Alecrim Azeredo e Joyce Santi participaram do Seminário Nacional “Comissões de Soluções Fundiárias e o Direito à Terra e à Moradia Adequada”, realizado no Rio de Janeiro. O evento reuniu pesquisadores, integrantes do sistema de justiça, movimentos sociais, universidades e organizações da sociedade civil para discutir conflitos fundiários, direito à moradia e experiências de mediação e regularização fundiária no Brasil.

Durante o seminário, Thatyane Alecrim Azeredo apresentou o trabalho “Comissões de Soluções Fundiárias e os limites da Regularização Fundiária Plena”, pesquisa desenvolvida a partir de sua dissertação de mestrado sobre a atuação das Comissões de Soluções Fundiárias no âmbito do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). Já Joyce Santi apresentou o trabalho “A omissão do Estado face à implementação da regularização fundiária: o caso da Comunidade de Agricultores e Moradores do Bairro da Serraria em Paraty-RJ”, abordando os desafios enfrentados pela comunidade diante da insuficiência da atuação estatal na efetivação de políticas de regularização fundiária e garantia do direito à moradia.

A programação também contou com visita técnica à Ocupação Gilberto Domingos, organizada por camelôs no centro do Rio de Janeiro, possibilitando reflexões sobre direito à cidade, conflitos urbanos e formas coletivas de organização social.

Já no dia 14 de abril, a pesquisadora Cláudia Mendes acompanhou a Reunião do Fórum de Apoio ao Programa de Democratização dos Imóveis da União no Rio de Janeiro, realizada no Palácio da Fazenda. A agenda discutiu os impactos da Lei nº 15.343/2026 e da nova Portaria do INSS sobre a destinação de imóveis públicos federais para habitação de interesse social e regularização fundiária.

O encontro reforçou a importância dos Fóruns Estaduais de Apoio ao Programa Imóvel da Gente como espaços de gestão democrática dos bens públicos e de participação social na formulação de políticas urbanas. Representantes da sociedade civil também destacaram preocupações em relação ao ritmo de implementação das medidas e aos desafios para efetivar a democratização do acesso à terra urbana.

Como laboratório inserido na cidade do Rio de Janeiro, o LEDUB busca acompanhar e contribuir ativamente com os debates, articulações e iniciativas que atravessam o campo da política urbana, da moradia e da regularização fundiária no território fluminense. A participação nesses espaços reforça o compromisso do laboratório em construir diálogos entre universidade, instituições públicas e sociedade civil, entendendo que a produção de conhecimento também se dá a partir da escuta, das trocas e da atuação junto às dinâmicas urbanas e sociais da cidade.

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LEDUB Celebra Defesas e Qualificação de Mestrado de seus pesquisadores https://ledub.com.br/ledub-celebra-defesas-e-qualificacao-de-mestrado-de-seus-pesquisadores/ https://ledub.com.br/ledub-celebra-defesas-e-qualificacao-de-mestrado-de-seus-pesquisadores/#respond Thu, 07 May 2026 13:13:18 +0000 https://ledub.com.br/?p=1939 O início de 2026 tem sido um período de intensa celebração e produtividade para o Laboratório de Estudos das Transformações do Direito Urbanístico Brasileiro (LEDUB). Entre as diversas atividades que movimentam o cotidiano do grupo, as defesas de mestrado e os exames de qualificação ganharam destaque especial neste primeiro trimestre, reafirmando o compromisso dos pesquisadores com a produção de conhecimento crítico e a formação acadêmica. As sessões dos três trabalhos, todos orientados pelo Prof. Dr. Alex Magalhães, foram prestigiadas pelos demais pesquisadores do laboratório, que acompanharam as apresentações presencialmente e online, fortalecendo a rede de trocas e o debate coletivo que caracteriza a identidade do LEDUB.

As atividades foram abertas no dia 5 de março com a defesa de mestrado de Thatyane Azeredo, realizada na Faculdade de Letras da UFRJ. O trabalho, intitulado “Só se não for incomodar: os direitos (não) assegurados pela regularização fundiária plena”, investigou os critérios de efetivação do direito à moradia adequada no Brasil. A pesquisa questionou como a falta de parâmetros objetivos para a definição de uma “regularização plena” pode levar a decisões institucionais que privilegiam os interesses do mercado imobiliário em detrimento da função social da terra. Ao analisar o caso de referência do loteamento Alecrim, em Maricá, a pesquisa trouxe uma contribuição vital para entender as respostas institucionais aos conflitos fundiários no cenário contemporâneo.

Dando continuidade ao foco no estado do Rio de Janeiro — território onde o LEDUB se insere e desenvolve o cerne de suas reflexões — no dia 24 de março, foi realizada a qualificação de mestrado de Karoline Barbosa. A pesquisa, que tem como estudo de caso Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, analisa os programas de “desfavelização” executados com recursos do PAC e do Programa Minha Casa Minha Vida. Karoline investiga se essas intervenções urbanas promovem, de fato, a moradia digna ou se acabam por agravar as tensões territoriais já existentes. É fundamental destacar que tanto o trabalho de Karoline quanto o de Larissa se debruçam sobre o contexto fluminense, permitindo ao laboratório um olhar profundo e especializado sobre as dinâmicas urbanas locais.

Encerrando este ciclo de conquistas, no dia 31 de março, o Auditório do IPPUR recebeu a defesa de Larissa Santana. Sua pesquisa analisou a titulação das mulheres no Programa Minha Casa Minha Vida a partir de uma perspectiva necessária de gênero e direito.  Larissa demonstrou como, apesar do avanço normativo em priorizar o título para as mulheres, a segurança da posse ainda é ameaçada por interpretações jurídicas patrimonialistas e pelas atecnias do texto legal, especialmente em contextos de vulnerabilidade e violência doméstica.

O LEDUB parabeniza imensamente as pesquisadoras Larissa Santana, Karoline Barbosa e Thatyane Alecrim Azeredo e deseja sucesso nas próximas etapas de suas trajetórias. Agradecemos também aos professores externos e demais professores do IPPUR que disponibilizaram seu tempo para participar desses momentos tão significativos para a consolidação da pesquisa. Em breve as dissertações estarão disponíveis para leitura na nossa biblioteca. 

Nas fotos da esquerda para a direita: Banca de defesa da Thatyane Azeredo com os integrantes da banca Fabricio Leal, Alex Magalhaes e Eduardo Domingues.  Ao meio, banca de qualificação da Karoline Barbosa, banca formada por Marcelo Gomes e Luciana Lago. Por último: Larissa Santana com Cláudia Paiva, Larissa Santana, Alex Magalhães e Adauto Cardoso. Membros da banca final.

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LEDUB realiza reunião de encerramento de 2025 e apresenta perspectivas para o ano de 2026 https://ledub.com.br/ledub-realiza-reuniao-de-encerramento-de-2025-e-apresenta-perspectivas-para-o-proximo-ano/ https://ledub.com.br/ledub-realiza-reuniao-de-encerramento-de-2025-e-apresenta-perspectivas-para-o-proximo-ano/#respond Fri, 23 Jan 2026 23:03:04 +0000 https://ledub.com.br/?p=1927 No dia 06 de dezembro de 2025, o Laboratório de Estudos das Transformações do Direito Urbanístico Brasileiro (LEDUB) realizou sua reunião de encerramento do ano, em um encontro marcado por balanços, trocas e projeções para o futuro. A atividade aconteceu no Cortiço Carioca (https://www.instagram.com/corticocarioca/), bar localizado na Lapa (RJ), reunindo pesquisadoras e pesquisadores do laboratório em um momento de avaliação coletiva e também, é claro, de confraternização.

A reunião foi dedicada a uma recapitulação das principais atividades desenvolvidas ao longo de 2025, com destaque para os projetos de pesquisa em andamento, participações em eventos acadêmicos e ações de divulgação científica. O momento também abriu espaço para reflexões sobre os desafios enfrentados e para a construção de expectativas e prioridades para o ano de 2026.

Um dos momentos centrais do encontro foi o lançamento oficial do site do LEDUB, pensado como um espaço de difusão das atividades do laboratório, de seus pesquisadores(as) e das produções acadêmicas desenvolvidas. Na ocasião, o desenvolvedor Duda Itaborahy apresentou a estrutura e a organização da plataforma, destacando suas funcionalidades e potencialidades. O processo de criação do site contou com a participação da comissão formada por Edmar Augusto, Valéria Ena e Mariana Camillo, pesquisadores(a) do LEDUB que trabalharam durante grande parte de 2025 no projeto.

A reunião também foi marcada pela apresentação da agenda prevista para 2026, que inclui a realização de eventos, o desenvolvimento de novos projetos de pesquisa, publicações de artigos em coautoria e a oferta de cursos e atividades formativas, reforçando o compromisso do laboratório com a produção coletiva de conhecimento e com o debate crítico sobre o direito urbanístico brasileiro.

Que 2026 seja um ano de fortalecimento institucional com intensa produção e que o LEDUB continue sendo esse espaço de articulação acadêmica e construção coletiva.

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Evento no IPPUR discute resultados do Censo 2022 sobre Favelas e Comunidades Urbanas https://ledub.com.br/evento-no-ippur-discute-resultados-do-censo-2022-sobre-favelas-e-comunidades-urbanas/ https://ledub.com.br/evento-no-ippur-discute-resultados-do-censo-2022-sobre-favelas-e-comunidades-urbanas/#respond Wed, 16 Jul 2025 15:12:46 +0000 https://ledub.liquefeito.com.br/?p=1200 O Ciclo de Diálogos em Planejamento Urbano e Regional, promovido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ), contou na última segunda-feira (14/07) com a participação da pesquisadora Letícia Gianella, da Gerência de Favelas e Comunidades do IBGE. O encontro teve como foco uma reflexão sobre as metodologias e os resultados do Censo 2022 voltados aos territórios populares. A atividade foi mediada pela professora Deborah Werner e organizada a convite do professor Alex Magalhães, ocorrendo no auditório do IPPUR, no Campus da UFRJ no Fundão.

Durante sua exposição, Letícia traçou um panorama histórico do envolvimento do IBGE com o mapeamento de favelas, iniciando na década de 1950, até chegar aos desafios encontrados no último Censo — como questões logísticas, burocráticas e o esforço de mobilização das equipes para garantir cobertura adequada dessas áreas. Ela também apresentou dados já divulgados, estimulando o público a adotar uma postura crítica na sua análise e ressaltando a importância do acesso e do tratamento responsável dessas informações.

A pesquisadora também destacou o compromisso do IBGE em manter um diálogo aberto com a sociedade civil. Mencionou iniciativas recentes de apresentações em comunidades do Rio de Janeiro e de outras partes do país, assim como esta que realizou no IPPUR, com o objetivo de esclarecer o processo censitário e fomentar o uso consciente dos dados coletados.

Acervo LEDUB

O evento contou com a presença de integrantes do LEDUB, que compartilharam suas impressões. Para Mariana Camillo, integrante do grupo, “ouvir a Letícia foi muito importante, pois nos mostrou como os dados do Censo são valiosos e possibilitam múltiplas análises. Compreender os cuidados necessários para acessar e tratar esses dados é essencial para evitar equívocos, especialmente em nossas pesquisas, que se tornam ainda mais relevantes quando fundamentadas em informações confiáveis. Como pesquisadora da área, pretendo utilizá-los sempre que possível”.

Ao final da apresentação, Letícia indicou as plataformas onde os dados podem ser acessados e manipulados, além de abrir espaço para perguntas e debates. Osias Peçanha, também integrante do LEDUB, aproveitou o momento para compartilhar dúvidas que surgiram durante a análise dos dados do Vidigal — comunidade onde vive e desenvolve suas pesquisas. Em especial, destacou a surpresa ao perceber uma redução no número de moradores em comparação com os dados do Censo de 2010.

Rogério Santos, morador e pesquisador do Complexo da Maré, também relatou situações semelhantes em sua região. Segundo ele, é comum que haja discrepâncias nos dados, como no caso do auto recenseamento que inclui a área de Marcilio Dias, enquanto o Censo oficial não a considera. Outra diferença relevante apontada por Rogério diz respeito aos conjuntos habitacionais, que, não são considerados pelo IBGE, contribuindo para distorções nos números percebidos pela comunidade.

A atividade reforçou a importância dos dados censitários como base para pesquisas acadêmicas e formulação de políticas públicas voltadas às favelas e comunidades urbanas. A apresentação também inspirou novas possibilidades de investigação entre os pesquisadores presentes, com Letícia reiterando diversas vezes a relevância da produção acadêmica nesse campo.

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Sentença de 1º grau reconhece o direito de posse e moradia da Comunidade Caiçara de Agricultores e Moradores do Bairro Serraria, com apoio da Defensoria Pública do RJ e assessoria coletiva e individual da advogada e pesquisadora do LEDUB Joyce Santi. https://ledub.com.br/entenca-de-1o-grau-reconhece-o-direito-de-posse-e-moradia-da-comunidade-caicara-de-agricultores-e-moradores-do-bairro-serraria-com-apoio-da-defensoria-publica-do-rj-e-assessoria-coletiva-e-individual/ https://ledub.com.br/entenca-de-1o-grau-reconhece-o-direito-de-posse-e-moradia-da-comunidade-caicara-de-agricultores-e-moradores-do-bairro-serraria-com-apoio-da-defensoria-publica-do-rj-e-assessoria-coletiva-e-individual/#respond Thu, 26 Jun 2025 17:18:41 +0000 https://ledub.liquefeito.com.br/?p=799 A Justiça proferiu, em primeira instância, uma decisão favorável à Comunidade Caiçara de Agricultores e Moradores do Bairro Serraria, localizada em Paraty-RJ, reconhecendo o direito de posse e à moradia de mais de 100 moradores que ocupam a área há mais de um século.

A disputa judicial teve início ainda nos anos 1980, quando a empresa Industrial Agrícola Barra Grande, após adquirir a área, passou a mover ações de despejo contra os moradores. O território havia sido objeto de dois decretos de desapropriação para fins de reforma agrária em 1986 e 1987, mas o processo não foi concluído. Em 2015, o INCRA formalizou a desistência da desapropriação, e a área deixou de ser considerada de interesse federal.

Desde então, os moradores, organizados por meio da Associação de Moradores constituída em 1996, vêm atuando de forma contínua pela permanência no território e pela regularização fundiária. Ao longo dos anos, a comunidade, com recursos próprios, foi responsável por construir boa parte da infraestrutura existente no local.

A partir de 2016, a empresa intensificou as tentativas de retirada da comunidade, ajuizando ações individuais e coletivas de reintegração de posse, envolvendo atualmente mais de 86 réus identificados.

A defesa jurídica dos moradores contou com o trabalho de diversos profissionais e instituições. A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, por meio de sua unidade em Paraty, atuou na representação de vários moradores. Paralelamente, o Núcleo de Tutela Coletiva da Defensoria Pública em Volta Redonda ingressou no processo como custus vulnerabilis, defendendo a coletividade vulnerável. Também tiveram atuação destacada a advogada e pesquisadora Joyce Santi, pesquisadora do LEDUB, e o advogado Dr. José Nélio de Carvalho, que prestaram assessoria jurídica coletiva e individual. Além deles, outros advogados também atuaram na defesa de moradores em diferentes ações.

 

Joyce, a Defensora Pública e os moradores do bairro Serraria

A recente decisão judicial reconheceu a posse da comunidade e o direito à moradia, em detrimento da propriedade privada que, segundo a sentença, não cumpria sua função social.

De acordo com a advogada Joyce Santi, “a decisão é um reconhecimento importante da função social da posse e do direito à moradia de uma comunidade historicamente estabelecida. Agora, o próximo passo é buscar, junto à Prefeitura de Paraty e ao ITERJ, a efetiva regularização fundiária do território”.

A decisão representa um avanço significativo na luta da comunidade pelo direito à terra e à moradia digna, mas ainda cabem recursos por parte da empresa autora das ações.

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LEDUB marca presença no XXI ENANPUR https://ledub.com.br/ledub-marca-presenca-no-xxi-enanpur/ https://ledub.com.br/ledub-marca-presenca-no-xxi-enanpur/#respond Tue, 27 May 2025 17:14:19 +0000 https://ledub.liquefeito.com.br/?p=435 O Laboratório de Estudos das Transformações do Direito Urbanístico Brasileiro (LEDUB) participou ativamente do XXI Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ENANPUR), realizado entre 19 e 23 de maio na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. O evento, que registrou recorde de participação com pesquisadores de todo o Brasil e da América Latina, reafirmou sua posição como principal fórum científico da área no país.

Durante o encontro, o LEDUB fortaleceu sua rede de cooperação acadêmica, evidenciando parcerias estratégicas com instituições como a Universidade Nacional de General Sarmiento (UNGS – Argentina) e a Universidade Federal do Pará. Essas colaborações transnacionais enriquecem as pesquisas do laboratório sobre direito urbanístico, regularização fundiária e dinâmicas territoriais em favelas.

Confira os destaques da participação:

Sessões Temáticas:

  • “O Direito das Favelas: uma análise comparativa entre as favelas do Vidigal e Cachoeirinha” (Andrea Baptista, Julia Santiago e Rebecca Bassi)

  • “Relaciones entre assentamientos de baja renta y el campo jurídico: um esbozo inicial de reflexión comparativa entre Brasil y Argentina” (Alex Magalhães)

  • “Memórias da Urbanização: uma cronologia para repensar a experiência da favela de Brás de Pina”

Sessão Livre:

Fotos: Acervo LEDUB

“Como as favelas e comunidades urbanas se (auto)regulam?” (Alex Magalhães, Liana Silvia, Myriam Cardoso, Maria Cristina Cravino e Giovanna Gurgel)

Lançamento:
O pesquisador pós-doutor Edmar Augusto Santos de Araújo Junior apresentou sua obra “Transferência do Direito de Construir e Patrimônio Cultural Edificado Carioca”, que já está disponível para venda.

 

Segundo Edmar,

“a participação no ENANPUR foi uma oportunidade única para pesquisadores interessados nas complexidades do urbano sob a ótica do Sul Global. O evento reuniu os principais especialistas brasileiros em planejamento urbano, consolidando-se como espaço de excelência acadêmica. Esta experiência certamente renderá frutos em nossas pesquisas e abrirá caminho para novas investigações”.

 

 

As discussões e contatos estabelecidos durante o evento servirão de base para o aprimoramento das pesquisas em andamento e para o desenvolvimento de novos projetos colaborativos. O LEDUB já se prepara para participar da próxima edição do ENANPUR, mantendo seu compromisso com a produção de conhecimento crítico e transformador no campo do direito urbanístico.

Os anais do evento estão disponíveis em breve em: https://xxienanpur.anpur.org.br/

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Direito à Favela: lineamento de um conceito https://ledub.com.br/direito-a-favela-lineamento-de-um-conceito/ https://ledub.com.br/direito-a-favela-lineamento-de-um-conceito/#respond Mon, 19 May 2025 18:25:24 +0000 https://ledub.liquefeito.com.br/2025/05/17/aqui-e-o-titulo-da-postagem-7/ Neste artigo para a Revista Ciência & Trópico, o profº Alex Magalhães (IPPUR/UFRJ) analisa as dinâmicas internas dos assentamentos de baixa renda a partir de um ponto de vista sociojurídico. Tendo como eixo central o conceito do “direito das favelas”, Magalhães aponta o potencial renovador que este debate possui em relação à teoria jurídica e à teoria social a respeito das favelas, bem como, suas repercussões de ordem teórico-prática.

O artigo “Direito das Favelas: lineamento de um conceito” foi publicado originalmente na Revista Ciência & Trópico (v.43, 2019). O Boletim IPPUR divulga o trabalho a fim de ampliar a difusão científica do corpo do docente do instituto.

Por Alex Magalhães¹

A expressão, ou o nomen, “Direito das Favelas” foi cunhada, originalmente, no projeto de tese, que estruturei ao longo do ano de 2007 e submeti, no mesmo ano, ao Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional, do IPPUR / UFRJ, e que constituiu, efetivamente, o guia e referência do desenvolvimento da pesquisa que culminou na elaboração de minha tese doutoral.

Desde essa ocasião, tenho trabalhado no desenvolvimento do conceito correspondente a essa expressão, que voltou a comparecer expressamente em diversos escritos anteriores e posteriores à mencionada tese nomeadamente: Magalhães (2008; 2010; 2013) bem como, de modo latente, em diversos outros escritos e novos projetos de pesquisa cujo objeto de estudo é o universo das favelas, ou, de modo ampliado, os chamados “assentamentos autoproduzidos” e as chamadas periferias, duas outras noções que vêm ganhando centralidade em minha reflexão recente e que dialogam fortemente com aquela.

Registro que o caráter “original” da expressão, acima alegado, refere-se a minha própria produção, muito embora eu desconheça que outros(as) pesquisadores(as) tenham se valido dela anteriormente.

Registro também que me interessa menos o debate a respeito da primazia na construção e uso dessa ou de outras expressões já ensaiadas na literaturado que o esforço autêntico em conhecer as favelas – e, de modo mais abrangente, os assentamentos autoproduzidos e as periferias – e suas dinâmicas internas, desde um ponto de vista sociojurídico, contribuindo, com o olhar e com os instrumentos analíticos do jurista, para o amplo e longo debate teórico e político (ou prático) a respeito do desenvolvimento, consolidação e requalificação desses importantes segmentos do tecido urbano.

No entanto, registro também que não considero o debate terminológico – ou, mais refinadamente, o debate a respeito dos chamados atos de nomeação (BOURDIEU, 1989) dos fenômenos sociais – algo secundário, desprezível, meramente formal, etc., especialmente quando se trata do campo jurídico. Nesse âmbito, como tem ensinado o referido mestre francês, a nomeação constitui um mecanismo, por excelência, de produção não somente do sistema jurídico, mas do próprio sistema social, induzindo ao seu reconhecimento universal.

Um exemplo bastante ilustrativo do problema da nomeação é trazido por outra colega que, em sua obra, indiscutivelmente versou sobre o tema do Direito das Favelas (muito embora não tenha se valido dessa expressão), porém em termos que o colocam sistematicamente – e literalmente – entre aspas a cada vez que se referia a quaisquer de suas possíveis expressões. O uso constante dessas aspas, como uma espécie de regra ou disciplina científica, induz a uma dúvida visceral a respeito da juridicidade do fenômeno que ela se propunha conhecer, na qual a utilização da categoria “Direito” a fim de qualificar esse fenômeno seria não mais do que uma espécie de concessão generosa, e/ou de metáfora, e/ou de licença poética (CORREA, 2012).

Tal exemplo me é bastante útil a fim de fazer, logo ao início desse artigo, uma démarche que me parece fundamental com relação ao conceito aqui debatido: na abordagem que desenvolvo, e que defendo, a categoria “Direito” é utilizada ipsis litteris, como diria um jurista tradicional. É usada de maneira categórica, com perdão pela redundância. Não se trata de um mero recurso discursivo, de uma palavra usada de maneira frouxa, não rigorosa ou levianamente.

Aquilo que entendo ter começado a desvendar em todos os meus esforços de pesquisa empírica eu classifico, strcitu sensu, como matéria jurídica, ou como relações sociais cuja juridicidade é inegável, em poucas  palavras, como efetivas relações e práticas jurídicas, de relevância tanto do ponto de vista do sistema normativo já posto, quanto da prospecção de possíveis futuras instituições formais do Direito. Em outra possível síntese, trata-se de literais fenômenos jurídicos, seja numa perspectiva formal, seja numa perspectiva sociológica.

Destarte, o presente artigo corporifica um esforço de sistematização, e, ao mesmo tempo, de atualização do conceito de Direito das Favelas, a fim não somente de definir o seu estatuto epistemológico, como também de incorporar novas dimensões ou nuances que têm sido sugeridas pelo tempo histórico, fazendo face aos questionamentos que já foram opostos ao longo do período em que dele tenho me valido.

Parece-me que se trata de um exercício que, de tempos em tempos, revela-se necessário, a fim de promover o reencontro desse objeto de estudo com o estado da arte das reflexões e práticas acumuladas a partir do momento inicial de sua proposição. Reforça essa percepção o fato de que se trata de um conceito definidor do lugar ou ângulo de onde busco tratar da questão das favelas, no qual se articulam aquilo que desenvolvo nos campos teórico e prático.

O desenvolvimento do artigo se estrutura basicamente em dois momentos. No primeiro deles buscamos demonstrar o quanto o estudo das favelas e das relações sociais que nelas se estruturam possui uma inafastável e relevante dimensão jurídica, para a qual se requer a devida atenção dos pesquisadores, traduzida no respectivo trabalho de construção de quadros teóricos adequados, no qual emerge o conceito de Direito das Favelas, como a síntese que propomos para a referida construção.

Uma vez colocada essa premissa fundamental, o segundo momento será dedicado a explorar e explicitar o que comporia um possível conteúdo do conceito de Direito das Favelas, identificando temas e questões que estariam abrangidos por ele, ao lado de algumas premissas epistemológicas e metodológicas que entendemos como essenciais a esse conceito.

Na conclusão, são brevemente recapituladas as questões cruciais do debate conceitual proposto no artigo, bem como apresentadas sínteses desse debate, em forma de proposições generalizantes a respeito do sentido e alcance que conferimos a noção de Direito das Favelas. Por fim, são apresentados os horizontes futuros do debate a respeito desse conceito que, de modo geral, importa na consolidação de uma determinada agenda de pesquisa sociojurídica a respeito das favelas.

Para acessar o artigo na íntegra, clique aqui.

¹Professor do IPPUR/UFRJ.

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Pesquisador do IPPUR/LEDUB participa de curso internacional sobre financiamento urbano na Colômbia https://ledub.com.br/pesquisador-do-ippur-ledub-participa-de-curso-internacional-sobre-financiamento-urbano-na-colombia/ https://ledub.com.br/pesquisador-do-ippur-ledub-participa-de-curso-internacional-sobre-financiamento-urbano-na-colombia/#respond Wed, 02 Apr 2025 22:47:40 +0000 https://ledub.com.br/?p=1801

No último mês de março, o pesquisador de Pós doutorado do IPPUR/LEDUB, Edmar Araújo, participou do curso internacional sobre “Financiamento Urbano e Políticas Fundiárias”, promovido pelo Instituto Lincoln em Bogotá, Colômbia, na Universidade de los Andes que sediou esta edição do curso. A iniciativa foi fruto da colaboração entre a Faculdade de Arquitetura e Design e o Cider — Centro Interdisciplinar de Estudos sobre Desenvolvimento — vinculado à Faculdade de Ciências Sociais.

A formação teve como foco principal o contexto colombiano, abordado por meio de aulas sobre instrumentos de financiamento urbano, gestão do solo, cálculo de valorização imobiliária, além de oficinas práticas sobre reestruturação fundiária. Outros temas tratados incluíram a integração entre transporte, mobilidade e uso do solo, contribuições de melhorias (valorização), e a articulação entre políticas habitacionais e instrumentos de gestão territorial no país. Como parte da programação, os participantes também realizaram uma visita técnica ao Teleférico de Ciudad Bolívar e ao Plano Parcial El Ensueño.

“A minha participação no curso foi uma oportunidade única para estudar a fundo os diversos temas que compreendem o mundo do urbano e as agendas transversais do planejamento urbano a partir de uma ótica dos instrumentos urbanísticos que regulamentam o mercado do solo. Trata-se de um evento de cunho científico e profissional da maior relevância na América Latina e no mundo, que contou com grandes nomes do corpo docente colombiano, qualificando o encontro como espaço de excelência em pesquisas e ideias. Foi uma semana intensa de trocas, networkings aprendizados, que deixou a certeza de querer estar presente nos próximos eventos do Lincoln Institute.” (Depoimento Edmar)

Fonte: Acervo Pessoal Edmar

O curso contou com a participação de 46 profissionais vindos de diversos países da América Latina e do Caribe, como Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador, República Dominicana, México, Peru, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Guatemala, Uruguai e Venezuela. A coordenação esteve a cargo da professora Maria Mercedes Maldonado e do professor Erik Vergel. Também participaram como docentes Magda Montaña, Maria Cristina Rojas, Oscar Borrero e Nestor Garza. O curso teve ainda exposições de especialistas em planejamento urbano e gestão, como Juan Manuel Patiño (da Companhia do Metrô de Medellín), Mario Avellaneda (da Universidade Nacional da Colômbia) e Maria del Pilar Grajales (ex-diretora técnica de imóveis do Instituto de Desenvolvimento Urbano).

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